O Parque

quinta-feira, 15 de abril de 2010 às 10:04

O dia amanheceu colorido hoje.Pássaros dançando suavemente na brisa,as crianças como sempre energéticas no parque.Pelo menos aqui,o ar não se deixa contaminar pela fumaça da civilização.Pessoas correndo em vagaroso trote para botar a saúde em dia,ou só o papo,enquanto eu caminhava junto à minha tranquilidade,observando aquela bela manhã.
-Olha mãe! Vo escorrega!
-Você viu o carro novo dela? Gente,que sonho.
-Eu te amo,meu amor
.
Eram coisas comuns de se ouvir.Ah,como pode ser belo o som de outros seres!
Mas alguém em particular roubava minha atenção.Não,não era uma bela mulher caminhando,mas uma garotinha,devia estar nos seus 8 anos,chutei.Sentada sozinha em um dos bancos do parque,tinha seus olhos fixos em mim,sua feição triste me incomodava,parecia estar com dó.Ignorei-a,voltei meu olhar para a frente,e lá estava ela,em pé,me encarando de perto,como ela fez isso?
-Porque o senhor está triste?
-Triste?
-Sim,está com a face abatida.
Fiquei calado.
-Porque o senhor só observa a vida em volta de você?
-Eu gosto de observar.
-Gosta mesmo? Ou prefere não se envolver,para não se arrepender depois?

Não consegui pronunciar.Aquela frágil criança me tirava as palavras.
-Vamos,não fique assim
Ela apertou minha mão,e sorriu.
-Eu entendo os seus medos,seus sonhos,seus arrependimentos,seus desejos.Você ainda porta dores gritantes por se envolver,mas não pode negar que a sua memória está cheia de momentos felizes.Se quer mais deste sentimento gratificante,não se contente só em observar.
E a garota sorriu outra vez.O espanto era tamanho,que não consegui colher palavras para respondê-la.Como um pequeno fragmento de gente conseguira tocar a minha melancolia tão eficazmente?
Olhava em volta,e todos estavam parados e sorridentes,com seus olhos voltados para mim.O que estava acontecendo naquela estranha manhã?
Por um instante,tudo se apagou.Abri os olhos,e agora o que via era o teto do meu quarto escuro.Virei meu rosto para o lado,e ali estava a minha mulher,com seus braços envoltos em mim,como um anjo adormecido.A imagem daquele lindo sorriso infantil invadiu meus pensamentos,e com ele,as palavras,que ecoaram no interior de meu crânio.Beijei-a.
-Eu te amo.
Era um novo começo.
segunda-feira, 12 de abril de 2010 às 08:51
O que você fez hoje pra sair do comum?

Fluxo

domingo, 11 de abril de 2010 às 13:11


Guiado pelas massas,que vivem roboticamente,buscando seus futuros já traça
dos por moldes,sentia-me puxado por uma força maior,chamada sociedade.

-Sacrifica tudo em que acreditas,seus sonhos e seus desejos,e molda a tua vida ao meu esquema,que serás feliz.


O que me era "dito" subjetivamente,dia após dia.Era como se uma parte de mim morresse a cada momento que passasse com aquelas pessoas,fazendo as mesmas coisas óbvias de todo o dia.Eu,que tanto lutei para escapar do fluxo,estava sendo vencido?
Percebia que meus momentos de reflexão lentamente deram lugar à pensamentos triviais.Minha mente estava entupida de lixo,eu estava me tornando um deles,um condenado.
Mas como poderia escapar disto? Chega a ser irônico,pois para viver,você precisa daquela que te tira o melhor da vida.

-Venha.Sem mim,você não tem futuro.

Ela me atiça,e me hipnotiza.Acordei em meio ao meu transe.Por pouco,não foi muito tarde.
Mas,mesmo ciente de que é errado,amanhã terei de me juntar novamente às massas.Vivenciar toda a velha estupidez,e participar dela.
Ó,fluxo que me acorrenta,juro que enquanto a minha consciência pertencer a mim,estudarei uma forma de opor-me a ti.

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