Castelo Pulsante

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010 às 09:05
Era de muito bom gosto,moldada ao estilo de casas com ar de obra de arte,riquíssima em seus detalhes cheios de requinte,frondoso jardim dava as boas vindas mais acolhedouras a qualquer um que se dava ao luxo de aventurar-se às redondezas.Imponente portal de recepção vislumbrava os olhos dos mais exigentes e dos mais curiosos.
Ao se andentrar na mansão branca com tons vermelho sangue,a sensação era a de aventurar-se em páginas de revista,a surrealidade era tamanha que a gravidade vencia deixando todos de boca aberta,pois havia mobília acomodada confortavelmente no teto,e lustres reluzentes de cristais entornados de baixo para cima,como estacas transpassadas no assoalho,havia mobília também no chão,e objetos que flutuavam entre ambos.Havia grandes espelhos distribuidos aleatoriamente pelas superfícies da residência,e quando passei por eles,vi embaçadamente a imagem de outros,mas nunca a minha própria.
Devia estar louco,pensei.Precisava sentar e relaxar.Não seria problema pois o luxo e o conforto eram constantes do local onde me via presente neste momento.Havia um grande sofá que ocupava todos os cantos da grande sala,de aresta à aresta.Sentei-me.
Surpreendido quando me via caindo de traseiro naquele gigante tapete vermelho rubro,o exagerado sofá havia se tornado névoa diante dos meus olhos,denso nevoeiro que encobriu toda aquela grande mansão,como viajar de carro de manhã,ou como é dentro das Saunas,a fumaça impedia que minha visão chegasse além de alguns centímetros distante da palma das minhas mãos.
Até que a espessa nuvem branca que me recobria foi sugada por um ventilador colossal com hélices gigantes,rústico e com visíveis marcas de oxidação no ferro,que fazia um barulho de ranger de correntes enquanto girava não muito veloz.E eu agora estava solo,naquela enorme sala escura de paredes,teto e assoalho brancos,totalmente vazia.E o luxo,a riqueza,o conforto e as almas,não se via mais.A unica centelha que se destacava ali naquele solitário cômodo branco era a luz proveniente da porta no fim do grande corredor branco.E as paredes pulsavam ritmicamente,e o som da pulsação me fez adormecer.
Acordei em minha cama,com lágrimas nos olhos.Abracei meu travesseiro.Devia estar mesmo muito quente para dormir.

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